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FOOD TODAY 05/2001

O que é que as dietas pobres em gordura podem fazer por si?

Food TodayDevido ao aumento global do fenómeno da obesidade1, é importante que as mensagens de saúde pública que visam combater este grave problema sejam realmente eficazes. Num projecto colaborativo, em larga escala, cinco centros de pesquisa europeus levaram a cabo, recentemente, um estudo que visava verificar se os conselhos actuais, recomendando uma dieta pobre em gorduras, realmente surte efeito na diminuição do peso, numa situação que não inclua restrições2.

Recentemente, os esforços para prevenir a obesidade têm-se centrado na redução do conteúdo lipídico da alimentação. As dietas ricas em gordura apresentam uma elevada concentração de energia, o que facilita o excesso de peso e gordura corporais. No entanto, existem algumas incongruências na teoria dos lípidos e da importância das dietas pobres em gorduras relativamente à prevenção e tratamento da obesidade, suscitando uma série de questões. Por outro lado, alguns estudos clínicos demonstraram que este tipo de dietas provoca uma diminuição do “bom” colesterol (HDL), assim como um aumento dos níveis de triglicéridos, ambos considerados factores de risco no que diz respeito a doenças cardiovasculares. Contrariamente, existem outras investigações que revelam que estas mesmas dietas ajudam a melhor o perfil lipídico.

No sentido de abordar estas questões em profundidade, providenciando, simultaneamente, uma situação de vida real, foi elaborado um estudo visando a gestão do rácio de hidratos de carbono nas dietas nacionais europeias, denominado CARMEN (Cardohydrate Ratio Managemente in European National diets). Cada um dos centros de investigação localizados na Holanda, Dinamarca, Reino Unido, Alemanha e Espanha, recrutaram oitenta homens e mulheres com excesso de peso, para integrarem o estudo em causa. Foi utilizada uma metodologia inovadora por forma a conseguir o maior realismo possível, permitindo simultaneamente a monitorização adequada do consumo alimentar.

Cada centro providenciava um pequeno estabelecimento comercial, com uma selecção de 100 a 150 alimentos com uma distribuição nutricional conhecida. As escolhas alimentares eram acompanhadas e registada utilizando um leitor de código de barras, não existindo nenhuma restrição sobre a quantidade de alimentos que a pessoa podia consumir. Os alimentos que não se estavam disponíveis na loja experimental como o pão, fruta e legumes frescos, carne fresca eram adquiridos nas superfícies comerciais tradicionais (supermercados), havendo o registo dos seus dados em intervalos regulares.

Após um período de adaptação de cinco semanas, todos os indivíduos estavam adaptados à loja experimental, onde alimentos providenciando teores específicos de gordura se ajustavam a cada país representado. Seguidamente, distribuíram-se os sujeitos do estudo aleatoriamente em três grupos: um grupo de controlo, que mantiveram uma alimentação em termos de gordura, um outro grupo seguindo uma alimentação com elevado teor em açúcar e pobre em gordura, e, finalmente, um ultimo grupo com uma dieta rica em amido e pobre em gordura. Um total de 316 pessoas seguiu estes diferentes tipos de regimes alimentares durante um período total de seis meses.

A população pertencente aos dois grupos sujeitos às dietas rica em açúcar e com elevado teor de amido, demonstraram uma diminuição nos níveis de gordura corporal na ordem dos 10% e 8%, respectivamente. Em ambos os grupos, o conteúdo energético da dieta diminui significativamente.

Relativamente ao plano alimentar com elevado teor em amido e pobre em gordura, foi verificado um decréscimo de 1,8kg do peso corporal, enquanto que no grupo em que foi conduzida uma dieta com elevado teor de açúcar e pobre em gordura, este valor foi de 0,9kg. Em oposição, o grupo de controlo apresentou um aumento de peso na ordem dos 0,8kg. Os dois primeiros grupos alcançaram uma perda significativa de gordura, representando um decréscimo de 1,8kg e 1,3kg, respectivamente. Não houve diferenças significativas entre os grupos no que se refere a alterações nos níveis sanguíneos de colesterol e triglicéridos.

O estudo CARMEN demonstrou que indivíduos com um excesso de peso moderado, apresentando uma ingestão alimentar de acordo com o apetite, e levando vidas dentro dos seus parâmetros normais, poderiam perder peso ao seguir uma alimentação rica em açúcar ou amido e simultaneamente pobre em gordura, sem sofrer efeitos negativos sobre o perfil lipidico no sangue. A perda de peso verificada foi moderada, mas no contexto global da população, esta perda pode permitir uma redução significativa no número de pessoas com excesso de peso e obesidade, que apresentam acrescido risco de doenças associadas. O Prof. Saris, do Instituto de Investigação em Nutrição e Toxicologia em Maastricht (Holanda), coordenador do projecto CARMEN, acredita que o efeito mais notável da redução da gordura alimentar, consiste na prevenção do ganho ponderal, mais do que realmente na perda radical de peso. De qualquer forma, os conselhos actuais de saúde pública, no sentido da redução da gordura alimentar parecem ser correctos, não prejudicando, evidentemente, os esforços para se manter em boa forma.

Referências

  1. World Health Organisation (1998) Obesity: preventing and managing the global epidemic. WHO; Geneva.
  2. Saris WHM Astrup A Prentice AM et al (2000) Randomised controlled trial of changes in dietary carbohydrate/fat ratio and simple vs complex carbohydrates on body weight and blood lipids: the CARMEN study. International Journal of Obesity.24; 1310-1318.
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A última actualização deste site foi efectuada em 14/04/2014
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