Clique aqui para visitar a página inicial do EUFIC
Segurança E Qualidade Alimentar
Tecnologia Alimentar
Food Risk Communication
Nutrição
Saúde E Estilo De Vida
Doenças Relacionadas Com A Alimentação
Perspectivas dos consumidores
(Apenas em Inglês)
Estímulo à reflexão
(Apenas em Inglês)
Iniciativas da União Europeia
(Traduzido parcialmente)
Destaques
Balanço energético

Nós aderimos aos princípios da charte HONcode da Fondation HON Nós aderimos aos princípios da carta HONcode.
Verifique aqui.



FOOD TODAY 11/2011

Habilidades culinárias podem ser a chave para a saúde?

FT_079_02Diversos factores afectam o tipo de alimentos escolhidos e consumidos, mas a habilidade para preparar a comida apropriada desempenha um papel importante. A falta de habilidades na preparação e confecção de alimentos pode ter impacto sobre a saúde e pode limitar as escolhas. Construir a confiança das pessoas em cozinhar pode tornar os europeus mais saudáveis?

A escolha dos alimentos na Europa
A escolha dos alimentos é um processo complexo e os factores que a influenciam variam ao longo da Europa.1 Normalmente, muitos factores sócio-culturais determinam quais os alimentos que são escolhidos, e que padrões alimentares surgem destas escolhas. Em termos culturais, o alimento pode expressar hospitalidade, celebração e sociabilidade. Para muitas pessoas, as refeições são vistas como uma oportunidade para se reunir, dar prazer e têm um papel essencial no fortalecimento de laços sociais, especialmente no Sul da Europa.1 A tradição também desempenha um papel na escolha de alimentos e comportamento alimentar, passando de geração em geração, às vezes vinculada às crenças éticas ou religiosas.

Os factores práticos também influenciam as decisões sobre quais os alimentos a comprar, a preparar e a comer, incluindo as preferências de sabor entre as alternativas paralelas concorrentes com "melhor preço" ou as opções disponíveis. A capacidade de planear e preparar uma refeição, a par de habilidades e confiança na culinária, actualmente tem atraído as atenções.

Habilidades culinárias: um factor na escolha de alimentos e saúde
A capacidade de preparar uma refeição, seguir uma receita e as facilidades disponíveis, podem ter impacto sobre as escolhas alimentares das pessoas. Se uma pessoa se torna dependente de alimentos que requerem o mínimo de preparação, ou alimentos pré-confeccionados, isso provoca uma restrição na sua escolha de modo a que os consumidores se tornem cada vez mais desprendidos da confecção culinária.2 Desde que a nutrição é conhecida por desempenhar um papel importante na saúde, a preparação de alimentos e habilidades culinárias têm o potencial de afectar o bem-estar e a saúde de cada um.

A investigação também enfocou na habilidade culinária como um factor nas diferenças alimentares socioeconómicas. Estudos no Reino Unido e Irlanda têm mostrado uma associação entre ocupação ou condição socioeconómica e habilidades ou confiança para cozinhar, e sugeriu que a falta de confiança e baixas habilidades culinárias contribuem para a baixa ingestão de frutas e vegetais de grupos de baixo nível socioeconómico.3 Outros estudos europeus sugerem que as intervenções visando habilidades culinárias podem ser uma estratégia eficaz para promover hábitos alimentares saudáveis.4

Várias intervenções baseadas na culinária têm como alvo grupos desfavorecidos como um meio de estreitar a lacuna na alimentação relacionada com a saúde. Uma intervenção na Escócia usou um estudo de intervenção nas habilidades práticas com alimentos em áreas socialmente desfavorecidas, e mostrou um efeito pequeno, mas positivo na melhoria da escolha de alimentos e confiança na preparação dos alimentos, o que pode ser um ponto de partida útil para iniciar a mudança.5 Clubes de cozinha após as aulas também têm sido utilizados como modelo tanto para melhorar as habilidades de culinária como a coesão na comunidade.6

Os europeus sabem como cozinhar?
Em muitos países europeus, a comida é uma parte importante da cultura, e os pratos tradicionais estão associados com muitos países. No entanto, está a tornar-se motivo de preocupação que os jovens em toda a Europa não estejam a adquirir as habilidades básicas de culinária que lhes permitam ter autonomia sobre os alimentos que escolhem.1 Esta degradação das habilidades culinárias tradicionais numa época de transição da culinária, parece estar a ocorrer apesar da exposição cada vez maior à produção em cru. No Reino Unido, 10% das pessoas citam não saber cozinhar como um factor limitante na sua escolha alimentar.7 De facto, no Reino Unido, esta é uma preocupação que até mesmo a estratégia do governo delineou a necessidade de melhorar as habilidades culinárias dos jovens. Por outro lado, cozinhar parece ser muito popular, como indicado pela popularidade de programas de culinária na TV, livros e revistas de culinária, mas estes interesses não significam que a visualização destas informações seja aplicada depois na cozinha.

Tem sido sugerido que a perda de habilidades culinárias pode ser uma consequência da introdução da mulher na sociedade actual que cada vez mais sai para trabalhar, enquanto que tradicionalmente assumiam a responsabilidade pela maioria das actividades domésticas relacionadas com os alimentos. Isto evidencia que há uma perda das tarefas relacionadas com a preparação de alimentos. Além disso, alguns estudos têm mostrado que a maioria das pessoas aprendeu a cozinhar com as suas mães; a pressão sobre as mães para trabalharem pode significar que as habilidades culinárias não são transmitidas para as crianças.6 Isto manifesta-se com o aumento da dependência de alimentos de conveniência.

Nos últimos anos temos visto uma evolução na cozinha, passando de ingredientes praticamente crus para alimentos de conveniência agora amplamente disponíveis.2 A escolha para usar produtos de conveniência depende de uma série de factores, incluindo factores económicos e sociais, bem como as habilidades culinárias. No entanto, as habilidades culinárias nem sempre garantem que a refeição será preparada a partir de 'zero', como outras habilidades, tais como o planeamento de ementas, conhecimento e equipamentos de cozinha que também são importantes. Além disso, algumas habilidades também podem ser necessárias para preparar alguns alimentos de conveniência. As habilidades de preparação de alimentos de hoje podem ser diferentes das necessárias para as gerações anteriores.

Num tempo de crescente preocupação sobre a sustentabilidade alimentar, as habilidades de preparação de alimentos vão além de cozinha e de nutrição, com as escolhas alimentares a terem implicações para a sociedade.2

O aumento de refeições prontas e alimentos de conveniência
Um factor que tem sido explorado é o uso cada vez maior de refeições prontas e alimentos de conveniência. Isto é particularmente significativo no Reino Unido onde o consumo de alimentos de conveniência é o mais elevado na Europa e a comida é preparada com menos alimentos crus.1 No entanto, mesmo na França, que é mais fortemente tradicional no que respeita a cozinhar refeições a partir de ingredientes básicos, com grande ênfase na estrutura das refeições e nos aspectos sociais de comer, parece haver alguma mudança para alimentos de conveniência, especialmente entre os jovens adultos.

Conveniência pode ser definida de várias maneiras: economia de tempo é um elemento de conveniência, mas em termos de refeições, conveniência também pode significar minimizar o esforço físico e mental que é necessário para a preparação de alimentos. As inovações tecnológicas, como o microondas, as mudanças culturais com sociedades multiculturais a introduzir novos alimentos, o aumento de famílias formadas por uma pessoa, uma diminuição das refeições feitas em família e mais mulheres a procurar trabalho remunerado por mais horas, determinam o aumento da procura de alimentos de conveniência.

Um estudo da Suíça mostrou que, em geral, a maioria das pessoas usa alimentos de conveniência, até certo ponto. O termo "refeição caseira" foi reinterpretado para incluir o uso de alguns produtos de conveniência, tais como tomates enlatados, vegetais congeladas ou massas secas. Um estudo reportou que, mesmo quando preparadas em casa, a maioria das refeições do fim do dia incluem alguns alimentos processados, com 36% de pratos a serem comprados já prontos.4

Com o crescimento do uso de refeições pré-confeccionadas, as preocupações têm aumentado sobre a sua salubridade. Investigadores da Suíça verificaram que, em geral, as pessoas têm uma imagem negativa das refeições pré-confeccionadas em relação ao valor nutricional e saúde.4 Aqueles que consumiram maior quantidade de refeições pré-confeccionadas entendem os alimentos de conveniência como uma economia de tempo, saudáveis e mais económicos que os consumidores que reportaram baixo consumo de alimentos pré-confeccinados.

Cozinhar para controlar a alimentação e a saúde
Os alimentos preparados em casa tendem a ser mais nutritivos do que os preparados fora de casa, e uma variedade alimentar mais saudável pode ser alcançada por pessoas que regularmente cozinham com alimentos frescos ou crus.7 Além disso, cozinhar a partir do zero dá ao consumidor o máximo de flexibilidade na escolha dos ingredientes e, assim, permite atingir as diretrizes de saúde pública (relacionadas com nutrientes, como o sal, a gordura saturada e o açúcar) e segui-las com maior rigor, para ajudar a conseguir uma alimentação nutricionalmente equilibrada.

Alguns estudos mostram que os indivíduos que relatam ser mais envolvidos na compra e preparação dos alimentos ou que cozinham com mais frequência, são mais propensos a atingir guidelines alimentares.8 Além disso, não gostar de cozinhar está associada a um menor consumo de frutas e vegetais.9 Falta de confiança pode também ser significativo. Num estudo australiano, significativamente mais, e uma maior variedade de vegetais foram comprados e preparados regularmente em domicílios onde o principal 'cozinheiro' tinha maior confiança na sua preparação. O estudo também mostrou que a confiança para cozinhar foi menor entre os grupos de condição socioeconómica mais baixa.3

Implicações para a saúde de cozinhar e comer juntos
Comer e cozinhar juntos é muito mais comum na França do que em Inglaterra.1 Ter um padrão de refeições regulares e não saltar o pequeno-almoço também é mais frequente na França. No entanto, mesmo na França está a surgir um certo grau de desestruturação dos hábitos alimentares, embora não na mesma extensão como na Inglaterra. Estas diferenças podem, em parte, explicar a mais alta prevalência de obesidade em Inglaterra do que em França.1

Muitos estudos têm mostrado que ter as refeições em família e outros aspectos da estrutura da refeição, incluindo jantar em família está significativamente associada a uma alimentação nutricionalmente mais adequada, com maior consumo de frutas, vegetais, grãos e alimentos ricos em cálcio.8-11 Por outro lado, a evidência mostrou que a ingestão de alimentos preparados fora de casa e comer apressadamente está ligada a uma alimentação mais pobre, com maior consumo de gordura total e saturada.11

Conclusões
Numa altura em que as doenças relacionadas com a alimentação continuam a espalhar-se para diversas partes da Europa, há uma grande necessidade de melhorar a saúde pública. Reviver habilidades culinárias, bem como construir a confiança para preparar uma boa refeição, pode ter um enorme impacto positivo na escolha de alimentos e na ingestão alimentar. Potenciais ideias incluem inserir aulas de culinária no currículo escolar e estabelecer estruturas em casa, incluindo as famílias singulares, que fazem do cozinhar uma experiência divertida para todas as idades.

References

  1. Pettinger C et al. (2006). Meal patterns in Southern France and Central England. Pub Health Nutr 9:1020-1026.
  2. Engler-Stringer R. (2010). Food, cooking skills and health. Can J Diet Pract Res 71:141-145.
  3. Winkler E & Turrell G. (2009). Confidence to cook vegetables and the buying habits of Australian households. J Am Diet Assoc 109: 1759-1768.
  4. van den Horst K et al. (2010). Ready-meal consumption: associations with weight status and cooking skills. Pub Health Nutr 14: 239-245.
  5. Wrieden WL et al. (2007). The impact of community-based food skills intervention on cooking confidence, food preparation methods and dietary choices. Pub Health Nutr 10:203-211.
  6. Gatenby LA et al. (2010). Cooking Communities: using multicultural after-school cooking clubs. Nutr Bull 36:108-112.
  7. Caraher M. (1999). The state of cooking in England: the relationship of cooking skills to food choice. Br Food J 109:590-609.
  8. Larson NI et al. (2006). Food preparation and purchasing roles among adolescents: Associations with sociodemographic characteristics and diet quality. J Am Diet Assoc 106:211-218.
  9. Larson NI et al. (2006). Food preparation and purchasing roles among adolescents: associations with sociodemographic characteristics and diet quality. J Am Diet Assoc 106:2001-2007.
  10. Larson NI et al. (2007). Family meals during adolescence are associated with higher diet quality and healthful meal patterns during young adulthood. J Am Diet Assoc 107:1502-1510.
  11. Larson NI et al. (2009). Making time for meals: Meal structure and associations with dietary intake in young adults. J Am Diet Assoc 109:72-79.
SOBRE O EUFIC
O European Food Information Council ou EUFIC (Conselho Europeu de Informação Alimentar) é uma organização sem fins lucrativos, que fornece informação científica sobre segurança e qualidade alimentar, nutrição e saúde, aos meios de comunicação, profissionais de nutrição e saúde, educadores e líderes de opinião pública, de uma forma facilmente compreensível pelos consumidores.

Ler mais
A última actualização deste site foi efectuada em 01/09/2014
Ver todos os resultados da procura