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FOOD TODAY 10/2004

Porque comemos o que comemos: determinantes sócio-económicos nas escolhas alimentares

Food TodayO artigo anterior deste conjunto de artigos sobre os factores que influenciam as escolhas alimentares destacava  a necessidade de ter em consideração os nossos cinco sentidos na promoção de alterações alimentares. Este artigo centra-se nos factores sócio-económicos implicados nas escolhas alimentares e assinala os obstáculos, que os indivíduos com um nível económico mais baixo, enfrenta para a realização de uma dieta saudável.
Como os factores sociais influenciam as escolhas alimentares individuais
 
Quando se refere o efeito das influências sociais na ingestão alimentar fala-se da influência que um ou mais indivíduos exercem sobre o comportamento alimentar de outros, se é directo ou indirecto e consciente ou inconsciente. Exceptuando quando um indivíduo come sozinho, a escolha alimentar é influenciada por factores sociais, uma vez que os hábitos e as atitudes se desenvolvem em interacção com outros indivíduos1. Investigações têm mostrado que consumimos mais na presença de amigos ou família do que quando estamos isolados e a quantidade de alimentos aumenta proporcionalmente ao número de companheiros de refeição2.
 
Os aspectos económicos na escolha dos alimentos
 
A relação entre um estado sócio-económico baixo e a saúde precária constitui uma questão complicada, e é influenciada pelo género, idade, cultura, ambiente, rede social e comunitária, estilo de vida dos indivíduos e os comportamentos em relação à saúde4.
 
Estudos populacionais mostraram claras diferenças entre as classes sociais e o consumo relativo dos alimentos e nutrientes. Os grupos de nível económico baixo especificamente têm uma maior tendência para realizar uma dieta desequilibrada e consumir uma quantidade menor de frutas e verduras3. Esta situação pode conduzir por um lado a uma carência em micronutrientes e simultaneamente a um excesso de consumo energético que resulta em excesso de peso e obesidade, entre os membros de uma mesma comunidade, dependendo da idade, sexo e nível de privação do grupo. Os grupos mais desfavorecidos também desenvolvem doenças crónicas mais cedo do que os grupos com maior nível sócio-económico, habitualmente identificados pelo seu nível educativo e profissional.
 
Grupos com rendimentos baixos
 
Quando se fala de grupos com rendimentos baixos, que apresentam dificuldades em seguir uma dieta saudável e equilibrada, refere-se a maioria das vezes pobreza alimentar e insegurança alimentar5. A pobreza alimentar inclui diversos aspectos, mas os três obstáculos principais à realização de uma dieta saudável e equilibrada são os custos, a acessibilidade e a falta de conhecimento6. Estes factores vão conduzindo ao desenvolvimento de zonas conhecidas como “desertos alimentares”. O hábito de consumir alimentos ricos em energia e pobres em nutrientes é consequência da falta de meios económicos para comprar alimentos mais saudáveis. A diferença de preço entre os alimentos saudáveis parece ser maior nas zonas onde os rendimentos são mais baixos. Por outro lado, a falta de instalações adequadas para cozinhar reforça a necessidade de consumir pratos pré-preparados ou comida “take away”, com elevada densidade energética.
 
 Viver em zonas com níveis sócio-económicos baixos também pode apresentar obstáculos logísticos quando se quer comer bem, como a falta de meios de transporte. Os transportes públicos nem sempre são uma solução viável, em particular para aqueles com crianças pequenas ou com dificuldades de mobilização. Finalmente, a falta de conhecimento ou o excesso de informações contraditórias sobre dieta e saúde, a falta de motivação e a falta de aptidão para cozinhar são factores que inibem a compra e a preparação de refeições a partir de alimentos básicos. Cozinhar numa cozinha é um luxo que não é permitido a indivíduos com níveis económicos baixos.
 
O nível de educação e económico determinam as escolhas e os comportamentos alimentares que pode ultimar em doenças relacionadas com a dieta. A origem de muitos dos problemas que afectam os indivíduos com rendimentos baixos resultam da necessidade de uma abordagem multidisciplinar, para encarar as necessidades sociais e atenuar as desigualdades em matéria de saúde.
 
Os factores influenciadores das escolhas alimentares não se baseiam unicamente nas preferências de cada indivíduo, mas são condicionados por circunstâncias sociais, culturais e económicas. Os grupos com rendimentos baixos enfrentam desafios específicos quando tentam alterar a sua dieta, assim é necessário encontrar soluções concretas para estes grupos. A população em geral também enfrenta problemas na hora de mudar a sua dieta, podendo utilizar ferramentas de ajuda, dadas pela psicologia social. Estes dois tópicos serão explorados em artigos futuros do Food Today.
 
Referências
  1. Feunekes GIJ, de Graaf C, Meyboom S and van Staveren WA (1998) Food choice and fat intake of adolescents and adults: associations of intakes within social networks. Preventive Medicine 27: 645-656.
  2. De Castro JM (1997) Socio-cultural determinants of meal size and frequency. British Journal of Nutrition Apr;77 Suppl 1:S39-54; discussion S54-5.
  3. De Irala-Estevez J, Groth M, Johansson L, Oltersdorf U, Prattala R & Martinez-Gonzalez MA (2000) A systematic review of socioeconomic differences in food habits in Europe: consumption of fruit and vegetables. European Journal of Clinical Nutrition 54: 706-714.
  4. Acheson D (1998) Independent Inquiry into Inequalities in Health. The Stationery Office, London.
  5. Riches G (1997) Hunger, food security and welfare policies: issues and debates in First World societies. Proceedings of Nutrition Society. 56(1A):63-74.
  6. Dibsdall LA, Lambert N, Bobbin RF, Frewer LJ (2003) Low-income consumers' attitudes and behaviour towards access, availability and motivation to eat fruit and vegetables. Public Health Nutrition 6(2):159-68.
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